A cortiça começou a ser usada há mais de 3.000 anos A.C., na Ásia como flutuante nas artes da pesca, no Egipto em sarcófagos milenares, em Pompeia como vedante de ânforas e na Grécia antiga em vasilhames de vinho e azeite. A primeira referência à utilização de rolhas de cortiça deve-se a D. Perignon, monge da Abadia de Hautvillers responsável pela vinha e pelo vinho e criador do espumante de Champagne, que tomou a iniciativa de rolhar os famosíssimos vinhos de Champagne com cortiça proveniente da Catalunha, abandonando assim o antigo costume de utilizar como vedante uma cavilha de madeira.

A evolução das rolhas está intimamente ligada à evolução das garrafas. Quando surgiram as primeiras garrafas, estas eram usadas nos boticários. A indústria das rolhas de cortiça iniciou-se por volta de 1750 em Angullane, na Catalunha, Espanha. Alguns anos depois essa indústria desenvolvia-se em Portugal, tendo como ponto de partida Santiago do Escoural, perto de Montemor-o-Novo. Todavia, Portugal só se assumiu como o principal produtor de rolhas a partir dos anos 30, do século XX (António, N. C., 2001).

Atualmente Portugal é o maior produtor, transformador e exportador de cortiça, salientando-se o seguinte:

I. A fileira nacional do setor da cortiça representou, em 2010, cerca de 1,5% da produção industrial nacional e cerca de 2,1% das exportações nacionais;

II. Dos principais produtos finais derivados da cortiça, destacam-se as rolhas e os materiais de construção (revestimentos e isolamentos);

III. A estrutura competitiva do setor é muito distinta de estágio para estágio da cadeira de valor, e mesmo dentro de alguns estágios existem grandes diferenças, dependendo do mercado de produto em análise.

A área de montado em Portugal tem permanecido praticamente inalterada nos últimos 50 anos e apresenta indícios de, a médio prazo e não ocorrendo alterações ao nível da estrutura de oferta, vir a diminuir. Por outro lado, a propriedade do montado encontra-se muito fragmentada, e a qualidade das florestas de sobreiros encontra-se significativamente aquém da qualidade da generalidade das restantes florestas.